Antes demais gostaria de agradeçer a participação dos diferentes intervenientes nesta discussão sempre actual, sobre a qual passo a dar a minha opinião ainda que de forma sucinta.
Embora sempre tenha defendido o dispositivo 3:3 como ponto de partida para a aprendizagem das relações defensivas dos atletas em formação, também é um facto que existem enumeras vantagens se o dispositivo defensivo tiver uma linha como ponto de partida, mas isso sim, com apenas 5 defensores. Sabendo que o mais importante é saber o que realmente é importante ensinar, qualquer dos formatos aqui referidos (3:3 e 5:0) são viáveis, no entanto vou analisar mais atentamente o segundo.
Quando no treino utilizamos jogo 5X5, independentemente do escalão etário à nossa disposição, que objectivos procuramos atingir com esse trabalho? Relacionado somente com os factores associados à defesa, podemos utilizar este exercício com diferentes propósitos, no entanto e sem entrar no pormenor, creio que quando o fazemos, desejamos acíma de tudo expor os defensores a um nível de exigência acrescido até porque a distribuição aumentada de metros quadrados aparece como uma dificuldade evidente. Um dispositivo 5:0 como retira um jogador da linha de defensores oferece também mais possibilidades ao ataque de melhor aplicar conteúdos tácticos ofensivos importantes como o passe ou a fixação. Por outro lado, se observarmos que tipo de conteúdos tácticos individuais e de grupo podem ser observados nesta circunstância, percebemos que de forma simplificada todos os elementos relacionados com a defesa podem estar presentes. Estamos todos de acordo que é muito mais importante ensinar comportamentos individuais como a posição de base e relações básicas de grupo como a cobertura ou a ajuda do que ensinar um sistema defensivo numa fase precoce de construção do jogador, no entanto tudo isto deve ser integrado de forma a induzir comportamentos adequados aos jovens atletas. Partindo de uma linha defensiva, se o ataque jogar com 5 elementos ao redor e sem jogador pivot, provavelmente observamos mais trocas de marcação do que deslizamentos já que, ainda que em espaço amplo, as zonas a defender ficam distribuidas equilibradamente. Será necessário então pensar como atacar para manipularmos os conteúdos defensivos a desenvolver, já que os comportamentos defensivos variam de acordo com o formato e tipo de ataque utilizado. Cinco atacantes ao redor, pivot fixo com dois laterais, um primeira linha a transformar o sistema ou um extremo a circular para jogar como pivot, seriam diferentes formas de atacar no sentido de obtermos variabilidade ao nível dos comportamentos defensivos individuais e de grupo dos atletas em formação. Partindo desta base e depois de termos definido o dispositivo defensivo inicial, a medida pedagógica de ensino/aprendizagem partiria do ataque nas suas diferentes formas de aplicação para chegar à defesa. O que perseguimos será assim ensinar a base do jogo ao nível das relações a estabelecer para resolver problemas colocados pelo ataque. Os defensores, para além dos comportamentos básicos defensivos, devem mais cedo começar a perceber distinguindo o que fazer de acordo com a circunstância de estar alinhado ou escalonado com companheiros contíguos. Devemos também dentro desta conjuntura, dar a liberdade ao defensor para tomar iniciativas de dissuasão até porque necessitamos de sistemas mais activos do que reactivos na sua essencia, sendo o 5:0 apenas um ponto de partida e não um fim em si próprio. Porque não uma competição de infantis com características semelhantes?